• Guilherme Pin

Qual o verdadeiro significado de sustentabilidade


Foto: sciencemag.org

Sustentabilidade, individualmente, não é adequada. Inclusive, a própria palavra é inadequada, simplesmente porque, por si só, não diz o que é necessário sustentar. A partir de uma análise, o autor Daniel Christian Wahl percebeu que o mundo tenta sustentar o padrão de saúde, resiliência e adaptabilidade que mantém o planeta em condições saudáveis.


Uma cultura humana regenerativa é saudável, resiliente e adaptável. Passa a ser uma forma de cuidar do planeta e da vida, estando consciente de que esta é a maneira mais eficaz de criar um futuro próspero à humanidade. Neste ponto, o conceito de resiliência está relacionado à saúde, já que descreve a capacidade de recuperar funções vitais básicas e de se recuperar de qualquer crise temporária.


Sustentabilidade, antes de qualquer coisa, é a saúde sistêmica e a resiliência em escalas locais, regionais e globais.


O Princípio da Precaução


Sendo moral e político, o Princípio da Precaução é responsável por determinar que, se uma ação pode causar um dano irreversível, o ônus da prova se encontra com o responsável pelo ato. Ou seja, nada mais do que ter responsabilidade dos atos.


A partir disso, uma proposta para orientar ações sábias diante uma dinâmica complexa, é justamente aplicar este princípio. Mas de uma forma que visa evitar ações com impactos negativos a saúde ambiental e humana, na medida do possível. Com a Carta Municipal da Natureza das Nações Unidas (1982), o Protocolo de Montreal sobre Saúde (1987), a Declaração do Rio (1992), o Protocolo de Kyoto (2005) e o Rio +20 (2012), o mundo se compromete a aplicar o Princípio da Precaução.


Como dito, o princípio pode também ser resumido como “pratique a precaução diante da incerteza”. Porém, não é isso que está sendo feito.


Mesmo que grupos da ONU e outros governos tenham considerado esse princípio como uma oportunidade de orientar ações, a prática no dia a dia demonstra uma dificuldade de implementação, já que há sempre um grau de incerteza. O Princípio da Precaução também pode interromper a inovação sustentável e bloquear novas tecnologias benéficas, já que não se pode provar, com certeza, que essas tecnologias não causarão efeitos colaterais prejudiciais.


A partir disso, é questionável o porquê de não desafiar designers, tecnólogos e planejadores a avaliarem suas propostas para sustentar a vida de forma restauradora e regenerativa. O objetivo de projetar algo assim pode não evitar efeitos colaterais e incertezas. No entanto, é um caminho de tentativa e erro, em direção a uma cultura regenerativa.


Em busca de respostas


No momento, é necessário responder ao fato de que a atividade humana, nos últimos séculos, causou danos ao funcionamento de ecossistemas saudáveis. A realidade demonstra uma diminuição da disponibilidade de recursos, ao mesmo tempo que aumenta a demanda.

Ao tentar diminuir a demanda, enquanto os recursos são reabastecidos através de projetos e tecnologias, é a chance de criar uma civilização humana regenerativa. Essa mudança pode implicar na transformação da base de recursos materiais, juntamente com um aumento na produtividade e reciclagem.


“Sustentabilidade é uma progressão em direção a uma consciência funcional de que todas as coisas estão conectadas; que os sistemas de comércio, construção, sociedade, geologia e natureza são realmente um sistema de relações integradas, que esses sistemas são co-participantes na evolução da vida”, escreveu Bill Reed em Shifting from ‘sustainability’ to regeneration (2007).


Depois de fazer a mudança de perspectiva, torna-se mais fácil entender a vida como “um processo de evolução contínua rumo a relacionamentos mais ricos, mais diversificados e mutuamente benéficos”. Para criar sistemas regenerativos, é preciso uma união com uma mudança na maneira como as próprias pessoas pensam sobre elas mesmas, seus relacionamentos e a vida com um todo.


No momento que o ser humano se torna uma ameaça à saúde do planeta, é o momento de aprender a redescobrir o relacionamento íntimo com a vida. A partir disso, haverá a emersão de uma cultura regenerativa e, em seu cerne, haverá também um convite para viver junto às perguntas, ao invés de buscar, incessantemente, as respostas.


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